sábado, 9 de fevereiro de 2013


Aceitei de vez que havia morrido. Morrera a dois anos, a 3 dias, morri ontem, morri hoje.. morrerei no segundo seguinte. 
Sinto falta de quem fui um dia, dos meus sonhos, inocências e devaneios. Creio que buscarei sempre te-los de volta, ser um pouco do que fui já que guardo em mim partes putrificadas deste ser, mas cansei de me culpar por ter mudado. 
Eu mudei, agora tenho novos defeitos, novas qualidades, novos anseios. Espero pelo hoje, pelo que farei dele e não mais por ter de volta o meu passado. Percebi enfim que de nada adianta relembra-lo com tamanho saudosismo se isto não alterará o meu futuro.
Tem sido um trabalho cansativo, sabe? Podar tantos ramos, gerar novas flores, ouvir de bocas alheias se meus esforços estavam ou não sendo gratificantes. 
Passou.


Thamyres Vaccaro

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Queria poder juntar os melhores momentos da minha vida e revive-los de novo e de novo. Por mais intensamente que sejam vividos permanece a vontade de ter novamente aquelas sensações que inundam a alma.

Hoje eu percebi que todas as pessoas que eu realmente amo estão envelhecendo, pedindo para passar um tempo comigo enquanto eu me isolo no mundo digital.
Já tentaram de diversas maneiras se reaproximar de mim, conversar e saber da minha vida como fora em outrora, mas eu tenho preferido companhias superficiais, distantes. Tenho os tratado como enfeites em minha vida, nos quais eu só mexo quando preciso.
Porém um dia, quando eu finalmente acordar para a vida, eu posso olhar envolta e não encontra-los esperando por mim, querendo minha presença. Podem ter desistido, posso ter me tornado somente uma lembrança para eles, uma resenha do que já fui. Eles podem não estar mais aqui.
Com oitenta anos falar que passei a vida trancada dentro de um quarto com um computador no colo nunca foi a minha meta. E se me perguntarem como era tal pessoa? Será que eu conseguirei me lembrar?
Já passou da hora de acordar, Thamyres..