quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Pensamentos da madrugada

- O que se passa? Porque seu olhar está tão distante?
Ela respondeu com um silêncio que feria seu orgulho.
- Onde se encontra seu pensamento?
- Em algum lugar entre o futuro e o passado - as palavras saiam de sua boca mas ainda era como se ela não estivesse ali. Seu olhar estava fixo em um lugar que ele desconhecia.
 - Você tem que esquecer isso, seguir em frente. Sua vida não pode ficar estacionada por algo tão bobo.
- Eu segui. Estou aqui não estou?
- Esta, mas por mais que sua vida avance, você parece ter ficado lá, no dia da sua decisão, no dia em que você desistiu.
Ela se dignou a olhar para ele e ele entendeu porque o fizera, desistir era uma palavra que não se encontrava no seu vocabulário. Pelo menos não a dois anos atrás.
- Eu poderia te dizer que não desisti, me enganar como venho fazendo todos esses anos e falar que estou apenas dando um tempo, mas nós dois sabemos a verdade, eu sou uma covarde – ela mantinha os olhos no chão e suas palavras saiam fracas, como se cada uma cortasse sua garganta.
-Você não é covarde, você só cansou, cansou de se machucar e resolveu dar um tempo pra você. Mas agora está na hora de você aceitar o que aconteceu e seguir em frente, a culpa não foi sua, apenas não era para ser.
- Eu sei. Eu sei. Estou tentando, mas estou com medo.
- Medo de que?
- E se eu me machucar de novo? E se não der certo? – ela se virou para ele com os olhos repletos d’água e ele entendeu que aquilo era um pedido de ajuda.
- Ai você tenta de novo e de novo, até dar certo. Quebrar a cara quantas vezes for preciso até que alcance seu objetivo, lembra?
 Ela enxugou uma lágrima na manga do seu moletom e sem agüentar mais fazer o papel de pai ele a abraçou.
-Vai dor? – ela perguntou com a voz embargada, segurando um soluço.
- Vai, vai doer em todo seu corpo e você vai achar que essa dor nunca vai acabar, mas ai você vai se levantar e abrir o mais lindo dos sorrisos e encarar a vida de frente, de braços abertos para o que der e vier, seja bom ou ruim, como sempre foi.
Agora ela chorava compulsivamente derramando lágrimas no casaco do menino. Ele afagava seus cabelo e mantinha os olhos fechados tentando se concentrar em algo que não fosse as mãos que lhe comprimiam as costas.
Ele a afastou do seu colo e mantendo as mãos em seu rosto enxugou as suas lágrimas. Ela, que ainda olhava para os braços do qual não queria nunca ter saído desvincilhou o rosto de suas mãos.
- Deixe que elas escorram, que elas vão embora, porque com elas se vão toda a dor e toda a tristeza que um dia eu cultivei.
 - Já estava na hora.
- É porque só agora você está realmente aqui - e ela terminou o diálogo com o sorriso do qual ele tanto gostava, que tinha o poder de destruir tudo a volta dele, menos ela.


.....



By:Thamyres Vaccaro

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