Eu tenho medo de escrever. Tenho medo de escrever e meus sentimentos tomarem forma. Quando escrevo, algo abstrato passa a ser sólido, existente de todas as formas, cada vez mais real, mais ferível, mais letal.
Meus textos fazem uma ponte direta da minha alma ao papel e este toma vida, esconde segredos os quais revela por entre suas linhas, mostrando aos poucos um eu mais profundo, mais denso e suave do que o conhecido. Se todos pudessem me entender em textos, ler todos os meus gestos com minucioso cuidado, buscando analisar cada movimento, veriam que escondo muita coisa, não no sentido que lhes convém, mas escondendo de maneira a enriquecer o rio que sou. A coragem que me falta encontro na caneta e tomando em seguida até mesmo um guardanapo, possuo o meu escudo perfeito para seguir em frente, neste belo caminho salpicado de pedras.
Que pena o mundo não poder ser movido a palavras, pois os poetas tantas vezes lhe teriam salvo e eu teria a honra de tomar-te agora por meu, criando em ti uma biblioteca de sonhos e poesias para apreciar todo gosto desta vida.
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