terça-feira, 16 de outubro de 2012



Ela estava naquela velha mesa rodeada de livros, papéis e canetas, aonde só ela conseguia encontrar as coisas. Ela sempre estava ali, todas as vezes que eu ia visita-la notava a mesa recentemente usada ou ainda em uso. Desde os sete anos estudava naquele lugar, cresceu atrás daquela mesa e atrás dela cresceu uma alma que poderia devastar o mundo se quisesse! Ela era agora uma jovem, nos seus 15 anos de idade, com ideias e pensamentos capazes de assustar o mais sábio dos homens por conta da maturidade e honra nos mesmos, porém mais parecia um pássaro engaiolado. Trancava a si mesma em deveres e regras que nem ela  compreendia, por medo de futuras consequências devastarem-lhe a existência. Havia ali um sabiá, que preso, foi perdendo a alegria e mergulhando em uma bacia de escolhas e dúvidas.
Eu a conhecia tão bem pois a sua alma era do mesmo material que a minha, compartilhávamos das mesmas angustias, dos mesmos medos, das mesmas dúvidas e receios. Ouvi-la falar era como ouvir a mim mesma e fazer uma auto analise. Eu admirava seu ser ir além do meu, com outros defeitos e qualidades!
Se cobrava tanto, queria tanto ser certa (como todos na nossa idade), que já não sabia qual era o certo e qual era o errado de se fazer.
Deixe a vida seguir menina! Lute com garra e determinação, mas também viva! Essa idade não volta e por isso não poderemos desfazer nossos erros, portanto ao invés de existir viva, mas viva com cuidado, pois a vida é uma só. E sempre se lembre da luz que tu irradias! De como és bela e soberana diante de todos os problemas que te afligem. Confie em mim, palavra de amiga.





Thamyres Vaccaro


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