- Você sabe que eu não posso, eu não sou de verdade.
- Claro que é! Você está aqui! Eu posso te sentir, todos podem!
- Sim, eu estou aqui e todos podem me ver, me tocar, mas eu não sou de verdade. Eu faço parte apenas da sua imaginação, da imaginação de todos eles.
- Como assim? Então eu compartilho a mesma amiga imaginária com todos que estão ao redor?!
- Não, para alguns eu sou a garota que passa por eles com o olhar longe e o nariz empinado, para outros eu sou a freguesa distraída que pediu um McTriplo da promoção, a azarenta que confundiu os banheiros e para você eu sou a amiga que você precisava.
- E quem são todos eles? Quem somos nós para você?
- São as pessoas que me criam, as pessoas cujas vidas eu cruzo para deixar algo, para mostrar o que não conseguem ver sozinhos, para acalentar a solidão. Lembra que você me disse que eu só atraía pessoas com algum vazio? Pessoas que precisavam de algo? Bem, talvez eu seja a própria solidão que dança com a solidão alheia para mostrar que estar sozinho pode não ser tão ruim assim, para te ensinar a fazer o melhor com aquilo que se tem.
- Mais espelho do que janela?
- Digamos que eu sou uma janela espelhada! (risos)
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