terça-feira, 23 de abril de 2013

"Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!"

Florbela Espanca

Sabe, quando meu pai tinha a minha idade ele costumava ser o Rei do bairro.
Saia com os amigos, aprontava, irritava os vizinhos, arrancava suspiros das garotas e pouco se importava com o futuro, com as filosofias da vida, com complexo sistema no qual vivemos..tinha uma inconsequência típica da idade. No futebol era o craque, no vôlei não perdia uma só partida, quebrava corações sem a menor culpa e era sempre bola pra frente, bola para a rede.
Ele era jovem, ele era livre, tinha um mundo de possibilidades pela frente! Ninguém poderia doma-lo, ninguém diria o que ele deveria ser!
Acho que no fundo é assim mesmo, quando jovens somos donos do mundo e não sabemos, só nos damos conta disso quando o mundo passa a ser dono da gente.

sábado, 9 de fevereiro de 2013


Aceitei de vez que havia morrido. Morrera a dois anos, a 3 dias, morri ontem, morri hoje.. morrerei no segundo seguinte. 
Sinto falta de quem fui um dia, dos meus sonhos, inocências e devaneios. Creio que buscarei sempre te-los de volta, ser um pouco do que fui já que guardo em mim partes putrificadas deste ser, mas cansei de me culpar por ter mudado. 
Eu mudei, agora tenho novos defeitos, novas qualidades, novos anseios. Espero pelo hoje, pelo que farei dele e não mais por ter de volta o meu passado. Percebi enfim que de nada adianta relembra-lo com tamanho saudosismo se isto não alterará o meu futuro.
Tem sido um trabalho cansativo, sabe? Podar tantos ramos, gerar novas flores, ouvir de bocas alheias se meus esforços estavam ou não sendo gratificantes. 
Passou.


Thamyres Vaccaro

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Queria poder juntar os melhores momentos da minha vida e revive-los de novo e de novo. Por mais intensamente que sejam vividos permanece a vontade de ter novamente aquelas sensações que inundam a alma.

Hoje eu percebi que todas as pessoas que eu realmente amo estão envelhecendo, pedindo para passar um tempo comigo enquanto eu me isolo no mundo digital.
Já tentaram de diversas maneiras se reaproximar de mim, conversar e saber da minha vida como fora em outrora, mas eu tenho preferido companhias superficiais, distantes. Tenho os tratado como enfeites em minha vida, nos quais eu só mexo quando preciso.
Porém um dia, quando eu finalmente acordar para a vida, eu posso olhar envolta e não encontra-los esperando por mim, querendo minha presença. Podem ter desistido, posso ter me tornado somente uma lembrança para eles, uma resenha do que já fui. Eles podem não estar mais aqui.
Com oitenta anos falar que passei a vida trancada dentro de um quarto com um computador no colo nunca foi a minha meta. E se me perguntarem como era tal pessoa? Será que eu conseguirei me lembrar?
Já passou da hora de acordar, Thamyres..

sábado, 29 de dezembro de 2012

"Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar..."
-Florbela Espanca

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

" Aquele espírito, positivo no meio dos seus entusiasmos, que amava a igreja por causa das suas flores, a música pela letra das romanças e a literatura pelas excitações apaixonadas, insurgia-se ante os mistérios da fé, assim como se irritava contra a disciplina, que era antipática à sua constituição." 
Madame Bovary