domingo, 26 de janeiro de 2014
Teoria dos Poliedros
No fundo ninguém é conhecido por inteiro, tudo possui um lado encoberto o qual não é possível ao menos ser pensado. Todos somos aquilo que os outros pensam de nós, o que nós pensamos de nós mesmos e somos também algo indefinido que não precisa ser explicado ou pensado, se basta no verbo ser pois apenas é. Nossa essência. Esta é desconhecida e se não o fosse, não mais seria a si própria, tornando-se apenas parte do que é pensado por alguém. Possuímos diversas faces em um único objeto. As palavras que nos definem apenas nos limitam a um adjetivo ou pensamento que não é a verdade ao todo. Vivemos cercados de pessoas poliédricas sendo nós mesmos um poliedro com um número infinito de lados. E nesse mundo multifacetado quem ousará julgar o outro? Quem duvidará da existência de um eu melhor? Quem ouvirá a um lado só?
Thamyres Vaccaro, ou mais que isso.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Filosofia da morte
- A beleza da vida consiste na morte - disse a ele. Fui chamada de mórbida.
Agora vejam, a vida só é bela e explicável através da morte, da finitude que esta dá as coisas. Tudo é belo porque muda, porque acaba e isso concede a cada ação e momento uma profundida que seria banal se o fim não fosse certo. As coisas são inesquecíveis pelo simples fato de estarem no passado, local inalcançável se não pelas memórias no qual nada pode ser mudado, apenas o ângulo de observação é variante. Como o próprio mestre disse " toda ação é eterna, não se pode voltar atrás".
Eu, particularmente, não acredito no verbo voltar por mais que o use. Ouvi uma vez alguém dizer que "quando voltares eu não serei mais eu, você não mais será você e o rio que nos banha tão pouco será o mesmo" e tomo isso como verdade desde então. O segundo é a única ferramenta que temos no chamado presente e ao esgotar-se já nos encontramos em um presente diferente e aquele que se foi já é passado.
Como não admirar a esperteza da vida? Para darmos valor as coisas torna-as finitas e o medo de nunca mais as termos deveria ser o suficiente para fazermos o melhor das mesmas enquanto as temos, enquanto temos o tempo, enquanto o segundo eminente se encontra em nossas mãos, no presente, no agora.
Pessoa já dizia: "Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida."
E mais uma vez um brinde a morte em vida!
Thamyres Vaccaro
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
"Talvez seja mais como o que você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado como um navio inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo… as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. Quando começa a chover dentro do Osprey, ele nunca vai voltar a ser o que era. Mas ainda há um tempo entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós nos rompemos por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das rachaduras deles. Quando foi que nos olhamos cara a cara? Não até que você tivesse visto através das minhas rachaduras, e eu, das suas. Antes disso, estávamos apenas observando a ideia que fazíamos um do outro, tipo olhando para sua persiana sem nunca enxergar o quarto lá dentro. Mas, uma vez que o navio se racha, a luz consegue entrar. E a luz consegue sai."
- Cidades de Papel
"Quando os adultos dizem: ‘Os adolescentes se acham invencíveis’, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar."
- John Green
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Gritos do silêncio
E cá estamos nós, mais uma vez cara a cara.
Falo com várias pessoas, tento faze-las entender o que se passa aqui dentro, enfraqueço e desabo diante das mesmas e por fim recorro novamente ao bom e velho papel no qual vomito palavras e sentimentos esgarçados que de nada mais valem aqui dentro, que não possuem mais espaço nessa alma tão grande e ao mesmo tempo tão cheia.
O que queres saber? Ah, aquele clichê de como me sinto? Queres a verdade? Não sinto.
Na verdade sinto. Sinto sentimentos conturbados que, como duas ondas dessincronizadas, provocam um silêncio absoluto no meu ser. Cada lembrança rodeia meus pensamentos fazendo ecoarem risadas e frases que me torturam, me culpam, me assombram e me saldam. Mergulho numa tristeza, numa saudade, uma vontade de fazer diferente e me debato por dentro gritando e lutando em vão para não me afogar. Mas dentro de mim só há lugar para o silêncio.
Então finjo. Finjo aceitar que as coisas terminaram assim. Finjo aceitar a falta de respostas, a frieza e a indiferença. Finjo tão bem que engano até a mim mesma. Mas é no meio do meu fingimento, dos meus risos agudos e da minha hibernação, que ouço uma música, que lembro de um momento, que acho falta de uma coisa e me encontro novamente submersa aonde os choros são secos e ninguém pode nota-los.
E eu entendo que não há um retorno, que o que passou é passado e por aí vai, mas estou presa a uma sentimento de outrora, que se um dia fez sentido, hoje me serve como um peso, um peso do qual me recuso a me desfazer. Talvez eu tenha me apegado a esta dor como a única coisa que resta de uma história banal e me negue a larga-la, a deixar a ferida cicatrizar por não querer virar a página, como se expressasse todo o meu desejo de que houvesse sido diferente nela e quando ela se for tudo terá ido também.
Então olho ao redor e estão todos conversando. Melhor prestar atenção no mundo lá fora e agir normalmente. Berro novamente dentro de mim. Silêncio. Me faço surda. Todos riem de alguma piada na qual não prestei atenção. Meu rosto imóvel se desdobra num sorriso aberto. Um amigo se aproxima e diz:
"- Fico feliz de te ver contente."
Continuo sorrindo.
Silêncio.
Thamyres Vaccaro
Assinar:
Postagens (Atom)





