sexta-feira, 7 de março de 2014

Carta extraviada para um blog qualquer

As coisas mudaram, eu não quero mais ser uma versão melhorada da minha mãe ou do meu pai, quero ser uma versão melhorada de mim mesma, ter meus próprios erros e acertos. Minha história está só começando, mas devo admitir que as coisas não andam fáceis para que eu possa contá-la, no futuro, do jeito que desejo.
Eu admito que tenho erros, defeitos, até mesmo falhas graves que eu preciso corrigir, mas também vejo que todos os outros tem e mesmo assim tento relevar-lhes os defeitos e amar-lhes as qualidades, deixando que sejam quem são, quem querem ser. Por este motivo me exalto quando apontam os meus defeitos de uma maneira tão hostil, pois mesmo sabendo que é a "função" deles e que é feito com amor, parece que querem sempre me mudar, que nunca aceitam quem eu sou. Pessoas muito piores que eu são amadas pelo que são, porque eu também não posso ser?!
Estou cansada de estar sempre no banco dos réus, de ser sempre julgada e condenada! Cansada de abaixar a cabeça como uma boa filha e continuar errada. A minha vida é ótima, mas eu me sinto no direito de vivê-la ao meu modo e, principalmente, de descobrir o meu modo de vivê-la! Acho péssima a ideia de viver a vida que me impõem, por mais que eu tente digeri-la diversas vezes com a ideia de uma - não tão próxima - independência.
Não estou julgando todas as atitudes deles como pais, condenando e expurgando-as, só estou dizendo o que anda me incomodando agora, nessa fase, me emudecendo cada dia mais. Me dói saber que essas ideias serão recebidas como insultos, tratadas a base de ameaças! "Você vai morar com o seu pai!", "As coisas vão mudar!", golpe baixo e sujo. Eu disse e repito que por mais incomoda que seja a situação, eu não vou abrir mão da convivência com as pessoas que eu mais amo, portanto não sairei desta casa agora.
Está na hora de vocês aceitarem que não criaram um monstro e sim uma pessoa. Uma pessoa com sonhos, vontades, desejos, direitos, deveres, a qual não é e não tem a obrigação de ser vocês. Uma pessoa que deve ser tratada como tal, como uma pessoa.





Thamyres Vaccaro

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões."
- Walt Whitman


(Digamos que, após um livro fodástico que eu li recentemente, Whitman tem permeado meus pensamentos.)
"E sei que sou imortal,
sei que minha órbita não pode ser medida pelo compasso do carpinteiro,
Sei que não apagarei como espirais de luz que crianças fazem à noite com graveto aceso.

Sei que sou sublime,
Não torturo meu espírito para que se justifique ou seja compreendido,
Vejo que as leis elementares nunca se desculpam,
Percebo que não ajo com orgulho mas elevado que o nível onde planto minha casa, afinal.

Existo como sou, isso me basta,
se ninguém mais no mundo está ciente, fico contente,
e se cada um e todos estão cientes, fico contente.

Meu pedestal é encaixado e entalhado em granito.
Dou risada do que você chama de decomposição,
sei da amplidão do tempo.

Sou poeta do corpo,
e sou o poeta da alma..."

- Walt Whitman
Todo mundo tem a sua carnificina pessoal.
Estamos constantemente matando a nós mesmos, seja para agradar aos outros, parar nos agradar, para criar um eu melhor, mais forte...
A vida é o ato de matar a si mesmo a todo momento.


Thamyres Vaccaro

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Diálogo impróprio

- Eu sou um babaca.
- Não, você não é.
- Você mesma me disse isso.
- Você não um babaca, você só é uma pessoa com atitudes babacas.
- Você é aquilo que você faz.
- Não, você é um conjunto de fatores. Você é o que faz, o que pensa, o que sente. Você é muito mais que um babaca. Você é muito mais que isso.




Thamyres Vaccaro

domingo, 2 de fevereiro de 2014

http://jardimdomundo.wordpress.com/

Muito, muito bom ^^

( Thamyres, lembre de visitar esse site pfv. Obrigada e.e)

Ela era assim




Ela disse pra mim que precisava de uma nova vida, que tinha estragado tudo nessa e não sabia como consertar. E ela foi embora, foi para longe, deixou tudo e todos para trás. Ninguém soube dela por um bom tempo, mas alguns receberam cartas, uma flor, uma foto...eu recebi um lírio com um bilhete aonde ela dizia que se perder talvez fosse se encontrar.
No fundo ela era assim. Ela sabia o que queria, ela sabia que tinha que ir além, que tinha que ir muito além para provar para si mesma quem era de verdade pois aqui ela sempre foi a boa menina que aceitava os limites que lhe davam e ainda achava aquilo muita coisa. Não queria ser má ou rebelde, ela só queria ser ela mesma, sem ter que se ponderar, que agradar, que alcançar expectativas alheias. Ela odiava se sentir presa.
Ela amava tudo ao seu redor, ela queria ajudar todos, queria fazer diferença na vida de cada um com quem falava, mas uma hora aquilo a saturou. Era muito muito por ali. Tinha pouco espaço para ser quem ela queria soterrada em meio a tanta gente que a conhecia, ou pelo menos que julgava conhece-la.
Sua mãe achou que a culpa foi dela, que não conseguiu faze-la feliz, o que era um grande engano. Ela era a mais feliz das pessoas com a mais feliz das vidas e tinha a mais amorosa das mães. Ela só precisava de mais, ela só precisava de espaço. Precisava pegar um carro e ir pra longe porque algo lhe dizia que tinha algo nesse longe, que tinham novas experiências, experiências sem as quais ela não conseguiria ser quem queria ser. Ela se prendeu ali por tanto tempo para não machucar a mãe...
As vezes ouço dizerem que ela sumiu de vez, que esqueceu todos e por eles foi esquecida. Equívocos. Aposto que ela lembra deles todos os dias, em todas as paisagens que vê e quem sabe até ligue para dar notícias (ela não aguentaria deixar a mãe sem notícias). Aposto que está em algum lugar com os pés para cima e a música no volume mais alto. Mainstream, mas ela não se importava em ser mainstream. Aposto também que ela vai voltar. Vai voltar como se não tivesse feito nada demais, como se passar um tempo fora fosse algo normal e vai voltar uma pessoa nova. Os seus problemas não estarão resolvidos e a sua vida não será um mar de rosas onde tudo é perfeito, mas ela vai ter feito o que precisava fazer e vai ter chegado até onde ela precisava chegar.
Ela era assim.




Thamyres Vaccaro