sexta-feira, 21 de junho de 2013

Retrato

"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"


Cecília Meireles

(Dica de uma boa amiga)

sábado, 1 de junho de 2013

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

Oswaldo Montenegro,

Na minha opinião o maior poeta da atualidade.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

As vezes olho no espelho e me pergunto se eu sou útil na vida de alguém, se eu mudo algo no mundo ou se sou só mais um saco de bosta, uma perda de espaço andando por ai...

terça-feira, 7 de maio de 2013




Não quero morrer jovem.
Tenho sede da vida,
Sede de infinito,
Quero sempre mais e mais.
Quero tudo devagar correndo,
Quero que as coisas sejam densas e que perdurem,
Que venham depressa e me assegurem que essa minha sede não vai mais voltar.

Thamyres Vaccaro

terça-feira, 23 de abril de 2013

"Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!"

Florbela Espanca

Sabe, quando meu pai tinha a minha idade ele costumava ser o Rei do bairro.
Saia com os amigos, aprontava, irritava os vizinhos, arrancava suspiros das garotas e pouco se importava com o futuro, com as filosofias da vida, com complexo sistema no qual vivemos..tinha uma inconsequência típica da idade. No futebol era o craque, no vôlei não perdia uma só partida, quebrava corações sem a menor culpa e era sempre bola pra frente, bola para a rede.
Ele era jovem, ele era livre, tinha um mundo de possibilidades pela frente! Ninguém poderia doma-lo, ninguém diria o que ele deveria ser!
Acho que no fundo é assim mesmo, quando jovens somos donos do mundo e não sabemos, só nos damos conta disso quando o mundo passa a ser dono da gente.

sábado, 9 de fevereiro de 2013


Aceitei de vez que havia morrido. Morrera a dois anos, a 3 dias, morri ontem, morri hoje.. morrerei no segundo seguinte. 
Sinto falta de quem fui um dia, dos meus sonhos, inocências e devaneios. Creio que buscarei sempre te-los de volta, ser um pouco do que fui já que guardo em mim partes putrificadas deste ser, mas cansei de me culpar por ter mudado. 
Eu mudei, agora tenho novos defeitos, novas qualidades, novos anseios. Espero pelo hoje, pelo que farei dele e não mais por ter de volta o meu passado. Percebi enfim que de nada adianta relembra-lo com tamanho saudosismo se isto não alterará o meu futuro.
Tem sido um trabalho cansativo, sabe? Podar tantos ramos, gerar novas flores, ouvir de bocas alheias se meus esforços estavam ou não sendo gratificantes. 
Passou.


Thamyres Vaccaro