"Não se pode pensar que as coisas são para sempre quando nem mesmo o objeto de aplicação delas é para sempre. Nem mesmo você é para sempre."
- Júlia Fonseca em um debate sobre amor eterno
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
"Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera !
São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor ?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos."
-Padre Antônio Vieira
(Quando li esse texto senti algo inexplicável! Um dos mais bonitos e que tem mais a ver com o que eu penso da vida.)
São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor ?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos."
-Padre Antônio Vieira
(Quando li esse texto senti algo inexplicável! Um dos mais bonitos e que tem mais a ver com o que eu penso da vida.)
domingo, 26 de janeiro de 2014
Teoria dos Poliedros
No fundo ninguém é conhecido por inteiro, tudo possui um lado encoberto o qual não é possível ao menos ser pensado. Todos somos aquilo que os outros pensam de nós, o que nós pensamos de nós mesmos e somos também algo indefinido que não precisa ser explicado ou pensado, se basta no verbo ser pois apenas é. Nossa essência. Esta é desconhecida e se não o fosse, não mais seria a si própria, tornando-se apenas parte do que é pensado por alguém. Possuímos diversas faces em um único objeto. As palavras que nos definem apenas nos limitam a um adjetivo ou pensamento que não é a verdade ao todo. Vivemos cercados de pessoas poliédricas sendo nós mesmos um poliedro com um número infinito de lados. E nesse mundo multifacetado quem ousará julgar o outro? Quem duvidará da existência de um eu melhor? Quem ouvirá a um lado só?
Thamyres Vaccaro, ou mais que isso.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Filosofia da morte
- A beleza da vida consiste na morte - disse a ele. Fui chamada de mórbida.
Agora vejam, a vida só é bela e explicável através da morte, da finitude que esta dá as coisas. Tudo é belo porque muda, porque acaba e isso concede a cada ação e momento uma profundida que seria banal se o fim não fosse certo. As coisas são inesquecíveis pelo simples fato de estarem no passado, local inalcançável se não pelas memórias no qual nada pode ser mudado, apenas o ângulo de observação é variante. Como o próprio mestre disse " toda ação é eterna, não se pode voltar atrás".
Eu, particularmente, não acredito no verbo voltar por mais que o use. Ouvi uma vez alguém dizer que "quando voltares eu não serei mais eu, você não mais será você e o rio que nos banha tão pouco será o mesmo" e tomo isso como verdade desde então. O segundo é a única ferramenta que temos no chamado presente e ao esgotar-se já nos encontramos em um presente diferente e aquele que se foi já é passado.
Como não admirar a esperteza da vida? Para darmos valor as coisas torna-as finitas e o medo de nunca mais as termos deveria ser o suficiente para fazermos o melhor das mesmas enquanto as temos, enquanto temos o tempo, enquanto o segundo eminente se encontra em nossas mãos, no presente, no agora.
Pessoa já dizia: "Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida."
E mais uma vez um brinde a morte em vida!
Thamyres Vaccaro
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
"Talvez seja mais como o que você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado como um navio inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo… as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. Quando começa a chover dentro do Osprey, ele nunca vai voltar a ser o que era. Mas ainda há um tempo entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós nos rompemos por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das rachaduras deles. Quando foi que nos olhamos cara a cara? Não até que você tivesse visto através das minhas rachaduras, e eu, das suas. Antes disso, estávamos apenas observando a ideia que fazíamos um do outro, tipo olhando para sua persiana sem nunca enxergar o quarto lá dentro. Mas, uma vez que o navio se racha, a luz consegue entrar. E a luz consegue sai."
- Cidades de Papel
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