domingo, 9 de março de 2014

Para onde vão nossos silêncios?
Já pensou se existisse um mundo só para eles? Um lugar aonde eles ficassem guardados e as palavras que nunca dissemos ficassem ecoando sem parar. Onde não haveria profanação dos nossos sonhos, desejos e sentimentos, onde  tudo seria eternamente selado no profundo não saber.
E as palavras que engolimos, cortando nossas gargantas como espinhos, fazendo sangrar para dentro de nós mesmos chances que nunca mais teremos e trazendo consequências que mais parecem muros, se aconchegam na doce solidão deste mundo de vazios, sendo acalentadas por tantos outros erros, ou até acertos, que são o eco de mais palavras enviadas para o nimbo de nossas almas.
Deixe passar a oportunidade, deixe passar o pensamento, deixe morrer a sua língua. Aumente a natalidade desde universo de exílio que te persegue em vida e morte.
Para onde vão nossos silêncios?



Thamyres Vaccaro, depois de muito chocolate.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Sobre Nome

De maneiras diferentes posso dizer que os meus sobrenomes andam me perseguindo.
Primeiramente fui abordada por alguns amigos sobre o porque de ter mudado meu sobrenome em uma rede social e em seguida fui acusada de não amar a família do sobrenome antigo pois não o uso (oi?). Resolvi esclarecer alguns pensamentos que tenho em relação a isso, então vamos lá.
Comecemos a conversa esclarecendo que eu possuo três sobrenomes, cujo o mais bonito, na minha opinião, é o Vaccaro. Eu nunca gostei de ser igual a todo mundo e, quando pequena, achava meio clichê ter família vinda de Portugal (nacionalidade do primeiro sobrenome), por isso carregava no sotaque para falar o sobrenome italiano que todos tinham dificuldade de pronunciar.
Porém a minha mãe é uma pessoa levemente muito ciumenta e sempre me cobrou o uso do sobrenome dela, por isso decidi coloca-lo na conta da rede social que mais uso. Três anos se passaram e eu percebi que as pessoas em geral só usavam esse sobrenome! Poucas sabiam da existência dos outros dois! Logo, mudei meu sobrenome, nessa rede, para Vaccaro e deu certo, em menos de um mês já me chamavam pelo meu futuro "nome artístico". Obviamente isso me custou algumas reclamações da minha mãe, mas nada que não vá passar no futuro. 
Uma coisa interessante que ouvi de um amigo foi sobre a diferença das pessoas contidas em cada sobrenome que carrego. A "Thamyres Sobrenomedamãe", segundo ele, seria a que todo mundo conhece, que interage com as pessoas em geral. Já a "Thamyres Vaccaro" só se deixa ver por poucos, seria minha parte sentimental, que gosta de textos, fotografia, teorias e etc, tudo que quem me conhece não espera conhecer. Eu acrescentaria ainda a "Thamyres Terceirosobrenome", a qual ninguém sabe que existe e os que sabem só ouviram de sobressalto. É uma mistura de uma Thamyres que já existiu, com as marcas que a mesma deixou e talvez nem eu conheça muito bem essa Thamyres, uma Thamyres que está só no papel, no final de uma assinatura, isso quando é assinada. O próprio motivo de esconde-la é pessoal demais.
Mais uma vez me deparo com o meu mundo poliédrico e me pergunto qual pessoa estará contida nos sobrenomes alheios, qual será que eu conheço, qual será que eu nunca vi.
Quantas "você" existem em ti?



Thamyres, a Vaccaro.

" A adolescência tem um egoísmo típico, um isolamento até mesmo necessário, pois você está se descobrindo, se formando, experimentando as coisas."

- Cleibe, a sábia.
"Por  piores que sejam os meus erros, é preferível que eu seja quem sou do que ser quem eles querem que eu seja."

-TV

Carta extraviada para um blog qualquer

As coisas mudaram, eu não quero mais ser uma versão melhorada da minha mãe ou do meu pai, quero ser uma versão melhorada de mim mesma, ter meus próprios erros e acertos. Minha história está só começando, mas devo admitir que as coisas não andam fáceis para que eu possa contá-la, no futuro, do jeito que desejo.
Eu admito que tenho erros, defeitos, até mesmo falhas graves que eu preciso corrigir, mas também vejo que todos os outros tem e mesmo assim tento relevar-lhes os defeitos e amar-lhes as qualidades, deixando que sejam quem são, quem querem ser. Por este motivo me exalto quando apontam os meus defeitos de uma maneira tão hostil, pois mesmo sabendo que é a "função" deles e que é feito com amor, parece que querem sempre me mudar, que nunca aceitam quem eu sou. Pessoas muito piores que eu são amadas pelo que são, porque eu também não posso ser?!
Estou cansada de estar sempre no banco dos réus, de ser sempre julgada e condenada! Cansada de abaixar a cabeça como uma boa filha e continuar errada. A minha vida é ótima, mas eu me sinto no direito de vivê-la ao meu modo e, principalmente, de descobrir o meu modo de vivê-la! Acho péssima a ideia de viver a vida que me impõem, por mais que eu tente digeri-la diversas vezes com a ideia de uma - não tão próxima - independência.
Não estou julgando todas as atitudes deles como pais, condenando e expurgando-as, só estou dizendo o que anda me incomodando agora, nessa fase, me emudecendo cada dia mais. Me dói saber que essas ideias serão recebidas como insultos, tratadas a base de ameaças! "Você vai morar com o seu pai!", "As coisas vão mudar!", golpe baixo e sujo. Eu disse e repito que por mais incomoda que seja a situação, eu não vou abrir mão da convivência com as pessoas que eu mais amo, portanto não sairei desta casa agora.
Está na hora de vocês aceitarem que não criaram um monstro e sim uma pessoa. Uma pessoa com sonhos, vontades, desejos, direitos, deveres, a qual não é e não tem a obrigação de ser vocês. Uma pessoa que deve ser tratada como tal, como uma pessoa.





Thamyres Vaccaro

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões."
- Walt Whitman


(Digamos que, após um livro fodástico que eu li recentemente, Whitman tem permeado meus pensamentos.)
"E sei que sou imortal,
sei que minha órbita não pode ser medida pelo compasso do carpinteiro,
Sei que não apagarei como espirais de luz que crianças fazem à noite com graveto aceso.

Sei que sou sublime,
Não torturo meu espírito para que se justifique ou seja compreendido,
Vejo que as leis elementares nunca se desculpam,
Percebo que não ajo com orgulho mas elevado que o nível onde planto minha casa, afinal.

Existo como sou, isso me basta,
se ninguém mais no mundo está ciente, fico contente,
e se cada um e todos estão cientes, fico contente.

Meu pedestal é encaixado e entalhado em granito.
Dou risada do que você chama de decomposição,
sei da amplidão do tempo.

Sou poeta do corpo,
e sou o poeta da alma..."

- Walt Whitman