Deitados na sua cama com o sol insistindo em passar pela persiana e o ventilador barulhento de sempre, você dormia enquanto eu pensava.
Pensava no tempo que passara desde a última vez que eu havia me sentido "a gente" com você. Parecia que tinha se passado meses sendo eu, um mundo de coisas, e você. E eu estava tão de saco cheio desse mundo de coisas. Eu ESTOU tão de saco cheio. Por que as coisas não voltam a ser fáceis como antes? Por que a todo momento parece que a vida quer me avisar que o fim está próximo ou, simplesmente, me pergunta quanto tempo mais eu vou aguentar?
Eu também me perguntava. Me perguntava se valia a pena continuar nessa vida cheia de distâncias para ter você inteiro só por algumas horas em um ou dois finais de semana. Será que não seria melhor se tivéssemos aquelas relações casuais? Quando desse pra se ver a gente marcaria, se não desse, ok. Sem nenhuma expectativa, sem nenhuma cobrança... Mas eu não sou do tipo que consegue ter relações casuais duradouras, que não espera nada, que não cobra nada. Eu tento, mas não sou.
Quanto tempo levaria até nos distanciarmos por completo? Até nos perdermos um do outro a ponto de não nos lembrarmos mais do porque estamos juntos? Até nos tornarmos completos estranhos?
Quanto tempo levaria até nos distanciarmos por completo? Até nos perdermos um do outro a ponto de não nos lembrarmos mais do porque estamos juntos? Até nos tornarmos completos estranhos?
Cansada de dilemas, fechei os olhos. Pelo menos aquele dia valera a pena. Valia a pena não ter te encontrado (ou nos encontrado, como queira) durante meses, só por ter você dormindo do meu lado mais uma vez, exalando o cheiro do seu desodorante, passando a barba quase ruiva no meu pescoço e me trazendo mais pra perto num abraço, enquanto esconde a cara no travesseiro e murmura alguma coisa. Valia a pena o silêncio que você proporcionava em mim e todas as dúvidas que vinham no pacote.
Valia a pena estar com você.
Thamyres Vaccaro
Thamyres Vaccaro

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