Na solidão do meu quarto em noites de chuva tomo consciência do meu interior de maneira ainda superficial. Me interesso pelos buracos palpáveis que há em minha alma, ocos e secos. Não consigo me lembrar o que os habitava. Mágoas, tristezas, questionamentos e decepções que não carrego mais comigo. Pessoas...tenho certeza que algumas pessoas já passaram por ali.
Ao tocar os buracos antes ocupados por pessoas, sinto a dor silenciosa que de uma lança me atravessando, dor esta que vem caminhando comigo como uma sombra nos últimos meses. O vazio dos buracos me incomoda. Minha alma voraz e possessiva não se conforma com a ausência do que já teve um dia, quer reter toda a vida em um abraço e não deixar que nada lhe escape.
Zonza e incomodada com tanto pensamento e vazia, volto para a realidade externa e para a estabilidade dos ambientes ao meu redor.
Mais buracos se abrem em meu peito silenciosamente enquanto deixo mais de mim de lado, enquanto calo as perguntas sem resposta e as vontades não saciadas.
Penso no dia em que me tornarei apenas buracos.
Afasto o pensamento.
Thamyres Vaccaro
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