segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Buracos

Na solidão do meu quarto em noites de chuva tomo consciência do meu interior de maneira ainda superficial. Me interesso pelos buracos palpáveis que há em minha alma, ocos e secos. Não consigo me lembrar o que os habitava. Mágoas, tristezas, questionamentos e decepções que não carrego mais comigo. Pessoas...tenho certeza que algumas pessoas já passaram por ali.
Ao tocar os buracos antes ocupados por pessoas, sinto a dor silenciosa que de uma lança me atravessando, dor esta que vem caminhando comigo como uma sombra nos últimos meses. O vazio dos buracos me incomoda. Minha alma voraz e possessiva não se conforma com a ausência do que já teve um dia, quer reter toda a vida em um abraço e não deixar que nada lhe escape.
Zonza e incomodada com tanto pensamento e vazia, volto para a realidade externa e para a estabilidade dos ambientes ao meu redor.
Mais buracos se abrem em meu peito silenciosamente enquanto deixo mais de mim de lado, enquanto calo as perguntas sem resposta e as vontades não saciadas.
Penso no dia em que me tornarei apenas buracos.
Afasto o pensamento.



Thamyres Vaccaro

Nenhum comentário:

Postar um comentário