sábado, 24 de março de 2012

Estou um pouco irritada comigo mesma.
Ao mesmo tempo em que há o cansaço físico, partilho de um estresse mental, causado por pensamentos que se repetem a todo momento. São sempre as mesmas dúvidas, as mesmas coisas, só muda os personagens.
Nunca acreditei quando diziam que ser tão anciosa me faria mal e hoje sinto na pele o que significa. Eu não sei esperar sem me importar, vira e mexe me pego pensando em como as coisas demoram e reavaliando minha visão sobre elas. Tudo começa com um "Não se importe! Pare de pensar nisso" e termina com várias frases se repetindo na minha cabeça, se misturando cada vez mais com os meus afazeres e tomando de mim um tempo que não tenho. São tantos pensamentos repetitivos que estes diminuem o espaço de tempo real, fazendo com que meu único refugio, seja o fechar das pálpebras ao dormir ou as páginas de um livro em meio aos sacodes do ônibus. Sabe quando você precisa se ausentar por um tempo para botar tudo no lugar? Ficar longe de tudo e perto de nada? Acho que é disso que estou precisando. De uma clínica exclusiva, só com a minha presença, para eu poder me botar contra a parede e falar para mim umas verdades das quais estou precisando...
Mas cadê o tempo?
"O resultado fatal de eu viver é o ato de escrever. Há tantos anos me perdi de vista que hesito em procurar me encontrar. Estou com medo de começar. Existir me dá às vezes tal taquicardia. Eu tenho tanto medo de ser eu. Sou tão perigoso. Me deram um nome e me alienaram de mim." Clarice Lispector - Um Sopro de Vida

domingo, 11 de março de 2012

Estava na praia com o pai, e ele pediu para ver se a temperatura da água estava boa. Ela estava com cinco anos, e ficou contente de poder ajudar; foi até a beira da água e molhou os pés.
”Coloquei os pés, está fria”, disse para ele. O pai pegou-a no colo, caminhou com ela até a beira do mar, e sem qualquer aviso, atirou-a dentro da água. Ela levou um susto, mas depois ficou contente com a brincadeira.
”Como está a água?”, perguntou o pai.
”Está gostosa”, respondeu.
”Então, daqui pra frente, quando você quiser saber alguma coisa, mergulhe nela.
 
— ”Brida” do Paulo Coelho

(Sim, do seu tumblr rs)

quarta-feira, 7 de março de 2012

Engrenagens



Ela estava quebrada. Sorria, brincava e todos sabiam do seu amor pela vida, entretanto, no pequeno espaço de tempo em que parava para pensar, ela sucumbia à tristeza gerada por algo desconhecido até mesmo pela própria garota. Parecia que estar afogada dentro de si. Havia algo escangalhado em sua alma. Ela estava farta de cometer erros, de tropeçar a todo momento, de esperar algo que nunca vinha e derramar aquelas lágrimas eram também um erro para ela em meio a tanta felicidade que tinha em sua vida. Uma vez  me disse desejar não acabar um livro, pois enquanto estava nele não lembrava que algo, mesmo que ela não soubesse do que se tratava, a deixava triste. Pois é, ela estava doente em seu interior e o que mais lhe doía era não saber o motivo já que, mesmo quando as coisas aconteciam conforme seus desejos, aquela inoportuna lágrima ainda estava ali. Eu à via sorrir e logo em seguida aquele sorriso se transformava em uma longa linha em seus lábios. Eram nuances de tristeza que à afetavam e ela não achava isso certo: a vida era tão bela ! Ela odiava saber que algo dentro dela estava triste e que toda vez que tentava saber o motivo, só conseguia mergulhar em um mar de lágrimas.
No fundo ela só queria ser concertada.



Thamyres Vaccaro

Pronome Possesivo

Descobri que gosto de pertencer à alguém nem que seja só em palavras. Gosto de ser chamada de "meu anjo" " minha vida", me trás a sensação de não estar sempre perdida seguindo um rumo que eu acredito ser o certo, caminhando com tanta gente de uma maneira que acabo caminho sozinha.
Queria que pudesse ser verdade, que eu pudesse virar o rosto e te ver nessa, cada vez mais nova, trilha, mas já tem tanta gente sendo sua que vai embora minha vontade de fazer parte desse jogo. É tão sínico o jeito como você finge não entender o porque de tudo isso. Simplesmente não gosto de ser qualquer uma, entende? Não gosto de ser chamada de maneira generalizada e muito menos quando tentam fazer com que pareça único. Esse era meu tão grande pedido, meu enorme desejo: ser única para você.
É pedir muito?

sexta-feira, 2 de março de 2012

"Olha: não posso mais! Ando tão cheio

Deste amor, que minh’alma se consome

De te exaltar aos olhos do universo...


Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio

E, fatigado de calar teu nome,

Quase o revelo no final de um verso."


Olavo Bilac

quinta-feira, 1 de março de 2012

“Escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta."
Caio Fernando Abreu