quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Cor de boca



Hoje eu decidi usar um esmalte da cor da minha boca. Decidi deixar o cabelo em paz e que irei em uma cachoeira o mais breve possível. Amanhã vou tomar o velho banho de sol matutino no caminho do ponto até o colégio, vendo-o cintilar como uma cruz em cima da passarela do metrô, por vezes vazia ou cheia, vai depender da hora.
Espero não sentir cede. Parece que toda água do mundo não é suficiente quando se trata de mim. Estou  com saudades de viajar, ir para o mato, andar nas pedras, ouvir o barulho da distância da vida criada para enganar a vida que nos foi dada. Decidi que vou na praia qualquer dia, vou convencer a minha mãe a meter o pé na estrada com o velho isopor  repleto de sanduíches, latinhas e suco. Vou tentar surfar. Tirar foto sorrindo na onda e rolar na areia pra ficar que nem bife empanado.
To afim de dançar, dançar em roda, sem seguir passos, sem obedecer a clichês ou me importar com os olhares e risos. Sempre tive vontade de botar um vestido de época, sabia? Já pensou em mim como uma dama? Amanhã devo passar uma sombra azul, mas queria ir catar conchas e corais no forte. Pássaros andam extremamente irritantes pra mim e as estrelas já querem falar de mais, sem me deixar apenas admira-las. Um saco.
Não quero mais um namorado, sabe? Peguete, ficante.. ah, isso é tão batido! O amor é o maior paradoxo de todos os tempos e as pessoas insistem em super valoriza-lo, em torna-lo o motivo de suas vidas. Vivem esperando que o hoje as leve para um amanhã com amor e cumplicidade, aonde acharão a felicidade eterna e soberana.. Por favor! As vezes penso que nunca chegamos a crescer! O amor é só mais uma armadilha que nos pondera a vida, não deixa que ela corra como deve correr. Corrigindo, ele corre com a vida, faz com que esperemos por ele sem aproveitar o que temos enquanto ele não chega. Mais um amigo acompanhado da infelicidade, da expectativa. Amor não se espera, amor aparece, amor brota, na hora que tem de brotar, ué!
Pois é, tanta coisa que eu venho adiando, deixando em segundo plano, preparando para o depois, sem nem saber se haverá depois. Decidi viver o hoje, sem pensar no amanhã, sem lembrar do ontem. Minha vida se resume ao hoje e eu tenho exatamente um dia, vinte e quatro horas para vive-la. O que poderia ser melhor que decidir o que será feito da sua vida? Eu posso, é só decidir o que farei hoje.
Decidi amar o hoje, amar a vida e tudo que há nela, porque é ela que eu tenho, ao menos por hoje.

Thamyres Vaccaro

domingo, 23 de setembro de 2012

Eu me recuso terminantemente a apenas existir. Não passarei minha estadia no conforto da sombra de uma árvore, quero mais é ir pro sol, quanto este aparecer, e pra chuva, mesmo que na pior das tempestades. Quero me deixar levar pelo vento, rodando o mundo, passando por diversas aventuras e lugares. Quero ser um mistério para quem me vê e poder por um sorriso em rosto apáticos.
Quero ser inteira, intensa, insana e dane-se o que os outros pensam! Dane-se o que esperam de mim!
A vida é uma só, a vida é breve de mais, não terei tempo para corrigir todos os meus erros, portanto vou aproveitá-la sem medo de errar, vou passar cada minuto intensamente, vou dar cada passo com firmeza!
Vou viver! Viver, não só existir.


E do nada você nota que precisa mudar o quadro pregado na parede do quarto. Precisa mudar as fotos, guardar algumas, tirar novas fotos com novas pessoas, reorganizar as frases que servem de inspiração..
O tempo vem passando tão rápido, tão sorrateiro por entre os fatos que quando viu já se passaram anos, já se passaram momentos e as pessoas que estavam aqui, em um breve cochilo já não estão mais.
O que você pensava mudou, quem você era já foi. Todo agora é uma nova vida, uma nova pessoa, um novo destino. E em cada cambaleada , mesmo sem notar, você já avançou inúmeros passos, pois na estrada da vida nada se conta, tudo se vive, tudo se viveu e tudo viverá, cabe a nós notarmos as mudanças e mudar o quadro.

domingo, 2 de setembro de 2012

Estou cansada de pessoas se aproximarem com um objetivo, sempre querendo algo em troca.
Eu ouço que isso é normal, mas para mim é inaceitável.
Será que eu sempre fiz isso? Acho que estou fazendo isso agora.

Há um certo limite para o interesse não?
Como se pode fazer isso tão consciente?
Eu estou confusa com isso.

Então eu não te dou o que quer e você simplesmente vai embora.
É assim que funciona o velho novo jogo?
Sentimentos e palavras são banalizados, simples ferramentas para conseguir o que se quer.
Será que eu estou fazendo isto agora? Será que fui influenciada?

Como de costume eu já havia me apegado a você,
estou sentindo sua falta e implorando por sua atenção, tentando entender o que aconteceu.
Foi assim que me viciei.
Estou brincando com os seus sentimentos. Sim, eu estou fazendo isso agora mesmo e você nem percebeu.

Como é estar do outro lado?
Pensar como você, é isso que eu estou fazendo.
Você se sente confortável assim?
 Estou te deixando. Isso confundi você?

Não, meu anjo, eu não me orgulho do que estou fazendo agora, mas é o que me pedem para fazer.
Sabe, nem é tão ruim, talvez de falsos sentimentos possam brotar sentimentos verdadeiros.
Agora eu te dominei, seus sentimentos são brinquedos em minhas mãos
Tenho total certeza de que esta pensando: " O que ela esta fazendo agora?"




Thamyres Vaccaro


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Entre Linhas

Eu tenho medo de escrever. Tenho medo de escrever e meus sentimentos tomarem forma. Quando escrevo, algo abstrato passa a ser sólido, existente de todas as formas, cada vez mais real, mais ferível, mais letal.
Meus textos fazem uma ponte direta da minha alma ao papel e este toma vida, esconde segredos os quais revela por entre suas linhas, mostrando aos poucos um eu mais profundo, mais denso e suave do que o conhecido. Se todos pudessem me entender em textos, ler todos os meus gestos com minucioso cuidado, buscando analisar cada movimento, veriam que escondo muita coisa, não no sentido que lhes convém, mas escondendo de maneira a enriquecer o rio que sou. A coragem que me falta encontro na caneta e tomando em seguida até mesmo um guardanapo, possuo o meu escudo perfeito para seguir em frente, neste belo caminho salpicado de pedras.
Que pena o mundo não poder ser movido a palavras, pois os poetas tantas vezes lhe teriam salvo e eu teria a honra de tomar-te agora por meu, criando em ti uma biblioteca de sonhos e poesias para apreciar todo gosto desta vida.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fantasias do abismo



Sabe aquela menina do vídeo? Aquela criança confiante, segura e despreocupada? Me pergunto se ela ainda vive.
Por fora foram poucas mudanças, um ajuste aqui, outro ali...porém por dentro permanece um maremoto no qual nada mais se encontra apesar de sabermos que tudo ainda esta ali. Os sonhos foram mudando, a confiança as vezes fica em falta, as doses de esperança agora tem de ser tomadas diariamente e os afazeres foram-lhe cada vez mais impostos. Agora ela aceita as coisas de bom grado, fala 'por favor' e 'obrigada' e ouvi dizer que ignora o que antes fora-lhe  importante.
Só que pare um pouco e olhe dentro dos olhos daquela moça. Avalie-a de maneira individual, sem o mundo, sem as pessoas a sua volta. Dentro daquele negro abismo ainda vive a menina fantasiada, que corre ali por algum lugar dando à nova menina graça, vida e alegria. Através daqueles olhos podemos ver que esta é a mesma de sempre, talvez não quem sonhava ser, porém a essência ainda lhe é intacta. A mesma vontade de viver transbordando lhe o peito e o desejo de engolir o mundo somente um pouco encoberto pelas imposições da vida, mas ainda a mesma menina, a qual creio eu, nunca deixará de ser.





Thamyres Vaccaro

domingo, 15 de abril de 2012

Estou cheia de sentimentos segregados, um mais complexo que o outro, cada um gritando dentro de mim. Não há mais espaço no meu corpo, volta e meia vem de subto uma ancia de vomito, um grito sufocado, uma  lágrima previamente enchugada.. me pergunto até quando aguentarei.
Não, não é nenhum problema com o mundo a minha volta, este se encontra florido e cheio de felicidade. O problema é com o mundo turvo e assustador dentro de mim pelo qual caminho sozinha no fechar das pálpebras, vendo a profanação da minha alma, os cacos do que um dia eu fora, eu fora pra tão distânte que já não me encontro  em mim.
Somente uma prévia do filme que se passa em minha cabeça, me torturando aos poucos. Me matando aos poucos.