Esse é um trecho do discursos de formatura de um formando do meu colégio, o qual ele direcionou aos pais e eu achei muito coerente.
"Tivemos que vencer preconceitos pessoais de ideologias, preconceitos familiares que nos foram instituídos, preconceitos existências por medo de não sermos suficientemente bom para VOCÊS, quando na verdade nossa obrigação é sermos o suficiente para nós, sermos realizados em nossa vida pessoal, e que essa sensação maravilhosa possa ser transmitida a todos os presentes em nossas vidas, seja de maneira diária, seja como um contato que dura com estações. Somos frutos de nossos erros, em especial, dos erros que vocês provavelmente condenariam, e tenho orgulho de ter tido chance de cometer erros que se dependesse de vocês, nunca cometeríamos. Na verdade, são erros mesmos? Ou cada um instruiu o outro do que é um erro a partir de mágoas e decepções? Vejam como somos belas flores que crescemos em um campo selvagem, porém repleto de vida e que nunca seriamos tão belos a nossa maneira, e nem tão bem desenvolvidos, se ficássemos expostos simplesmente em seus jardins. "
domingo, 3 de agosto de 2014
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
sábado, 14 de junho de 2014
Eco irrevogável e o Grande Talvez
Lendo, talvez, o quarto livro aonde a personagem principal é uma garota misteriosa que se vai antes que os que a amavam possam realmente conhece-la, eu me peguei pensando se gostaria de ser essa garota, se gostaria de ser eternamente um mistério, um Grande Talvez. Eu sei, é irremediável o fato de que os que me amam não me conhecem ao todo e gostam de mim pela ideia que fazem de quem sou, mas será que, se um dia fizerem minha biografia, não esquecerão um detalhe que para mim era importante e que talvez nem tenham notado? Será que se importarão com as minhas lembranças na caixa, com os meus pensamentos em cadernos e meus textos postados ou apenas jogarão tudo fora com o intuito de tornar o sofrimento mais suportável? Eu gostaria que todos que me amaram lessem tudo, quem sabem guardassem ou devolvessem as lembranças as pessoas que participaram das mesmas, e buscassem conhecer quem eu não mostrava em vida. Não gostaria que minha vida fosse toda esquecida e dentro de cinquenta anos ninguém mais soubesse quem foi Thamyres Vaccaro, porém aceito o fato de que, depois da minha morte e depois da morte daqueles cujas vidas eu marquei, eu serei apenas um registro de nascimento num cartório carioca e minha contribuição para a humanidade estará enterrada em diversas covas. Eu aceito.
E isso acontecerá com cada um de nós, mesmo com aqueles que serão lembrados, para quem farão estátuas e documentários. A pessoa, suas lembranças, sentimentos, a mente e a vida em si se vai. Você deixa para o mundo a contribuição que faz na vida das pessoas e a partir do momento em que essas pessoas também se vão, sua vida se tornará apenas um eco na sucessível cadeia de contribuições que rege o mundo. Você atuou na vida de uma pessoa A que irá atuar na vida de uma pessoa B e assim por diante e esse é o único modo de imortalidade que existe, o silencioso e indigente. Você atua apenas na forma de energia.
E quando eu digo contribuir, atuar, eu não quero dizer apenas com grandes feitos, mas também com simples palavras, cumprimentos. Tudo fica armazenado no histórico de vida da pessoa, como se tivéssemos uma memória de dados que armazena tudo que nos acontece ao longo da vida.
Essa é a Thamyres, alguém que talvez não tenha mostrado o máximo ou o melhor, que talvez tenha partes de si jogadas fora, queimadas, que deixará tanta tristeza em morte como deixou alegria em vida e que um dia será completamente esquecida pelos vivos e será apenas um eco.
E ela aceita isso.
Thamyres Vaccaro
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Piledriver Waltz
Mas o fato é que houve uma dança antes do inferno.
Houve uma dança antes de aquela sala pegar fogo e eu e você nos tornarmos um misto de cinzas e gás carbônico, intoxicando o sangue e sujando a pele.
Você segurou a minha cintura com as suas mãos calejadas sem que eu precisasse explicar e me lançou aquele olhar tão confuso e piedoso, o qual eu aprendi a odiar. Meu vestido coral e as pérolas no meu pescoço faziam de nós uma espécie de casal dos anos 50 embarcando em uma primeira dança sem saber que em alguns instantes teríamos realmente dançado. Eu ouvia Piledriver Waltz e suas críticas sobre como a Inglaterra havia perdido sua essência desde que passara a estampar camisetas de lojas da Saens Peña. Me sentei sobre a mureta da varanda e te ofereci um cigarro, você disse que aquilo era nojento e arremessou o maço longe. Eu concordava com você então apenas agradeci. Deitado no meu colo contando seus sonhos e pensamentos você parecia tão menos amedrontador e armado. Eu te contei algumas lembranças e você riu de alguém que eu já fui. O assunto acabou e você falou do frio. Eu disse ser frescura. Você disse que embaixo do meu vestido deveria estar mais quente. Joguei na sua cara algumas verdades e por alguns segundos te vi envergonhado, mas nada bom o suficiente para que eu pudesse me gabar. Você fez aquela coisa chata de me encarar e olhar nos meus olhos como se estivesse lendo minha alma. Odeio que façam isso comigo. Adoro fazer isso com os outros.
Talvez nós pudéssemos ter ficado assim mais algum tempo. Talvez pudéssemos ter transformado todos aqueles pensamentos, excitação e sentimentos ( não sei que nome dar ao certo) em um beijo, mas nós sabíamos que não valeria a pena. Não queríamos que vale-se. Tudo aquilo já estava bom demais. Era o suficiente.
Te puxei para a pista e gritei como Elvis era incrível. Você tentou um twist que me convenceu do quão ruim eu era com essa coisa de dançar. Realmente aquele terno preto caiba bem em você. Se nós tivéssemos tido tempo eu teria dito para você usa-lo todo dia. Seu cabelo bagunçando enquanto se balançava dava um ar bem "reformatório vintage" à sua performasse. Eu amava naquele momento. Não você. Eu amava aquela cena, eu amava aquele momento, eu amava meu vestido coral e toda a luz ambiente que envolvia aquela sala. Você leu a minha mente e gritou que estava amando aquilo, que amava a vida. Gritamos isso um para o outro. Olhamos nossas almas.
Tudo teve três segundos de eternidade.
E então pegamos fogo.
Thamyres Vaccaro
Houve uma dança antes de aquela sala pegar fogo e eu e você nos tornarmos um misto de cinzas e gás carbônico, intoxicando o sangue e sujando a pele.
Você segurou a minha cintura com as suas mãos calejadas sem que eu precisasse explicar e me lançou aquele olhar tão confuso e piedoso, o qual eu aprendi a odiar. Meu vestido coral e as pérolas no meu pescoço faziam de nós uma espécie de casal dos anos 50 embarcando em uma primeira dança sem saber que em alguns instantes teríamos realmente dançado. Eu ouvia Piledriver Waltz e suas críticas sobre como a Inglaterra havia perdido sua essência desde que passara a estampar camisetas de lojas da Saens Peña. Me sentei sobre a mureta da varanda e te ofereci um cigarro, você disse que aquilo era nojento e arremessou o maço longe. Eu concordava com você então apenas agradeci. Deitado no meu colo contando seus sonhos e pensamentos você parecia tão menos amedrontador e armado. Eu te contei algumas lembranças e você riu de alguém que eu já fui. O assunto acabou e você falou do frio. Eu disse ser frescura. Você disse que embaixo do meu vestido deveria estar mais quente. Joguei na sua cara algumas verdades e por alguns segundos te vi envergonhado, mas nada bom o suficiente para que eu pudesse me gabar. Você fez aquela coisa chata de me encarar e olhar nos meus olhos como se estivesse lendo minha alma. Odeio que façam isso comigo. Adoro fazer isso com os outros.
Talvez nós pudéssemos ter ficado assim mais algum tempo. Talvez pudéssemos ter transformado todos aqueles pensamentos, excitação e sentimentos ( não sei que nome dar ao certo) em um beijo, mas nós sabíamos que não valeria a pena. Não queríamos que vale-se. Tudo aquilo já estava bom demais. Era o suficiente.
Te puxei para a pista e gritei como Elvis era incrível. Você tentou um twist que me convenceu do quão ruim eu era com essa coisa de dançar. Realmente aquele terno preto caiba bem em você. Se nós tivéssemos tido tempo eu teria dito para você usa-lo todo dia. Seu cabelo bagunçando enquanto se balançava dava um ar bem "reformatório vintage" à sua performasse. Eu amava naquele momento. Não você. Eu amava aquela cena, eu amava aquele momento, eu amava meu vestido coral e toda a luz ambiente que envolvia aquela sala. Você leu a minha mente e gritou que estava amando aquilo, que amava a vida. Gritamos isso um para o outro. Olhamos nossas almas.
Tudo teve três segundos de eternidade.
E então pegamos fogo.
Thamyres Vaccaro
domingo, 18 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
Tem uma caixa de memórias em cima do meu armário que me da a certeza de que o passado foi real ao menos para mim. Tem um quadro de moldura amarela com dizeres bonitos apoiado na escrivaninha que me inspira e me alegra. Minha prima me deu só por me dar e esses são os melhores presentes. O vestido de casamento da minha mãe está pendurado ao lado do armário. Espero que não amarele, ele é tão lindo. Uma pilha de livros sem muita utilidade se posiciona abaixo de um quadro de metal com fotos das pessoas que amo. Já tentei fazer nele uma arrumação bonita, mas depois de uns oito anos desisti. Tem uma prateleira com dois porta-retratos preenchidos por saudades: a praia da minha vida e os meus irmãos. Os sapatos e mochilas estão espalhados pelo chão, assim como um rádio nômade que eu uso muito pouco. Me pergunto porque tenho um chapéu de cowboy encima do teclado empoeirado que também se encontra encima do armário. Deixa pra lá. No espelho estão escritas frases que me inspiram com uma caneta marcadora preta. "Live and let die" está lá e isso é tão bonito. Tem um cartão postal com uma pintura da França e essa foi uma das lembranças que eu mais amei porque foi simples. Numa madeira avulsa acima da janela estão as lembranças que ganhei de Portugal, Holanda, França (outra) e Inglaterra. Mimos. Olho novamente para o espelho e percebo que esqueci de descrever uma menina sentada numa cadeira de madeira, digitando qualquer coisa no computador, em frente ao quadro de moldura amarela. Nenhuma pose interessante, nada que chame atenção. Um santuário neutro e convidativo apenas para aqueles que enxergam além dos olhos, para os que perguntam, para os que supõem, para os que querem saber.
Para outros:
Apenas um quarto.
Thamyres Vaccaro
Para outros:
Apenas um quarto.
Thamyres Vaccaro
"Eu gosto das pessoas que param para escutar. Que gostam de abraços, que conseguem amar. Gosto de pessoas que riem de modo estranho, choram escondidas. Gosto de pessoas que não se escondem atrás de máscaras, pessoas que são fortes, pessoas que sempre seguem em frente. Gosto de pessoas que gostam de pessoas. Gosto de pessoas que sabem o motivo de uma lágrima, que estão sempre por perto. Gosto de pessoas que nunca se vão, de pessoas que ficam, que tentam, que conseguem. Gosto de pessoas assim… Como elas são."
— Tati Bernardi.
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